Tudo sobre a grande noite de Madonna nos VMAs
Atualizado: há 2 dias

Os VMAs de 2026 tiveram algo de passagem de bastão, embora, na música pop, passado e presente raramente ocupem lugares tão definidos. Madonna voltou ao palco que ajudou a transformar em um dos grandes acontecimentos da cultura pop e terminou a noite como Artist of the Year. Taylor Swift, representando outra geração dessa mesma história, também deixou sua marca, levando o Video of the Year e o inaugural Artist Director Honors.
Mais do que uma sucessão de troféus, a noite reuniu diferentes momentos da música pop em uma mesma celebração. Depois de uma abertura marcada pelo retorno de Madonna ao palco dos VMAs, vieram as homenagens, performances e premiações que completaram a história daquela noite.
O ATO DE ABERTURA
Madonna abriu sua apresentação no VMA 2026 mergulhando o palco no universo de It’s Good for the Soul. As personagens do clipe tomaram conta do palco, enquanto os famosos lasers verdes fluiam dos seus corpos e ganhavam vida diante da plateia.
Vestida de preto, Madonna surgiu linda e segura, com a voz em destaque desde os primeiros momentos. Ao seu lado, no piano, Sabrina Carpenter ajudou a estabelecer o encontro entre diferentes gerações do pop, enquanto bailarinos e os personagens híbridos do filme Confessions II, que misturam características humanas e elementos de câmera, transformavam o palco em uma extensão daquele universo visual, as duas cantam Bring Your Love.
Madonna e Sabrina entregam uma performance simplesmente fabulosa. Há uma química deliciosa entre as duas, com Sabrina trazendo sua personalidade e seu frescor sem jamais diminuir a presença monumental de Madonna. E Madonna, por sua vez, parece absolutamente à vontade naquele palco, cantando, interpretando e ocupando cada segundo da apresentação com a autoridade de quem conhece profundamente a linguagem do espetáculo.
A apresentação ganhou uma nova dimensão quando bailarinos retiraram o sobretudo de Madonna e revelaram seu figurino, enquanto um coral inteiro, vestido de branco, entrava em cena. A imagem imediatamente evocou a atmosfera de Like a Prayer, criando um daqueles momentos em que a própria história de Madonna parece atravessar o presente. O coral etéreo, a iluminação e a presença da cantora produziram uma sequência quase religiosa, mas sem perder o caráter teatral e provocador que sempre acompanhou sua obra. Era como se Madonna revisitasse uma de suas imagens mais reconhecíveis sem simplesmente repeti-la.
O que torna a sequência ainda mais impressionante é a presença quase sobrenatural daquele coral. Vestidos inteiramente de branco, os cantores parecem surgir de outro espaço, como uma espécie de visão que invade o palco. A disposição dos corpos, a luminosidade e a sonoridade criam a impressão de que Madonna estava sendo cercada por uma multidão de figuras celestiais. Por alguns instantes, o espetáculo deixa de parecer apenas uma apresentação musical e ganha a dimensão de um ritual pop.
Então, quando a apresentação parecia caminhar para um momento grandioso e solene, Madonna mudou completamente o cenário. A ação foi transferida para um banheiro, onde a festa ganhou uma atmosfera mais caótica e divertida com a chegada de Charlie XCX, Debbie Mazar e Julia Garner entre outros personagens da música Danceteria. O espaço se transformou em mais um palco dentro do palco, reunindo personagens, bailarinos e convidados numa celebração que misturava humor, sensualidade, nostalgia e cultura pop. A escolha de Debbie Mazar acrescentou ainda uma camada afetiva para quem acompanha a trajetória de Madonna há décadas, enquanto a presença de Julia Garner reforçou a conexão entre diferentes momentos da cultura pop contemporânea.
O resultado foi uma apresentação que pareceu construída justamente para reunir as várias Madonnas que existem na memória do público. A Madonna provocadora dos primeiros anos, a artista que transformou símbolos religiosos em espetáculo pop, a mulher que continua cercada por bailarinos e personagens fantásticos e, agora, a Madonna capaz de dividir o palco com artistas de uma geração muito mais jovem. Tudo isso aconteceu em poucos minutos, com uma sucessão de imagens que transformou o VMA em uma espécie de grande celebração da própria linguagem de Madonna.

OS PRÊMIOS DA NOITE
BEST COLLABORATION

Em Best Collaboration, Madonna e Sabrina Carpenter venceram com “Bring Your Love”, superando “Chains & Whips”, de Clipse, Kendrick Lamar, Pusha T e Malice; “Ever Since U Left Me”, de French Montana e Max B; “Stateside”, de PinkPantheress e Zara Larsson; “Dai Dai”, de Shakira e Burna Boy; e “Hard Part”, de Teyana Taylor e Lucky Daye.Mais do que um discurso de agradecimento, o momento em que Madonna e Sabrina Carpenter receberam o prêmio foi uma pequena celebração da intimidade construída durante o trabalho.
Madonna falou com carinho sobre a dinâmica entre as duas, lembrando os diferentes ritmos com que chegavam aos compromissos e até os pequenos pedaços de papel usados para anotar ideias e manter tudo organizado. São detalhes aparentemente banais, mas que ajudam a revelar aquilo que normalmente fica escondido por trás de uma colaboração: a convivência, as trocas e a construção gradual de uma parceria.
Madonna também encontrou espaço para falar sobre o significado da música. À primeira vista, ela pode soar como uma declaração de amor, mas existe algo mais complexo por trás dela. A canção fala sobre aquela sensação de alguém acreditar que conhece outra pessoa profundamente, a ponto de imaginar que sabe quem ela é, o que pensa ou o que sente melhor do que ela própria. É uma ideia que toca em julgamentos e projeções, e que ganha um significado particular quando interpretada por duas artistas de gerações tão diferentes.
Mas foi o afeto que acabou dando o tom definitivo àquele momento. Sabrina agradeceu a Madonna, declarou seu amor por ela e recebeu de volta um “Igualmente”. Depois, como se quisesse quebrar qualquer formalidade que ainda restasse, vieram comentários sobre a equipe, mensagens diretas e a promessa de voltar aos bastidores para tomar um drinque. Por alguns instantes, o palco deixou de parecer uma cerimônia e assumiu a atmosfera de uma conversa entre pessoas que acabaram de compartilhar algo importante. Talvez seja justamente essa espontaneidade que tenha tornado o momento tão especial.
ARTIST OF THE YEAR

Na disputa por Artist of the Year, Madonna concorreu com Ariana Grande, Bruno Mars, Morgan Wallen, Sabrina Carpenter e Taylor Swift. Ao final da categoria, Madonna levou o prêmio, acrescentando mais uma importante conquista à sua história nos VMAs e marcando uma das grandes vitórias de sua noite de retorno à premiação.
Diferentemente das categorias dedicadas a uma música ou a um videoclipe específico, o prêmio reconhece o artista como um todo, colocando Madonna ao lado de alguns dos nomes de maior destaque da música contemporânea.
A conquista também acontece em um momento particularmente simbólico: Madonna retorna ao palco dos VMAs depois de 23 anos e, na mesma noite, recebe um dos principais prêmios da cerimônia. É uma combinação que transforma sua volta à premiação em um dos acontecimentos centrais da noite.
“Para mim, essa é realmente a definição de ser uma artista: encontrar a si mesma, acreditar em si mesma e fazer a música que você realmente quer fazer.”
Mais do que uma categoria entre tantas outras, Artist of the Year funciona como um reconhecimento à presença de Madonna nesta nova fase de sua carreira, em que Confessions II recoloca seu nome no centro da conversa pop e a aproxima novamente de uma nova geração de artistas e público.

BEST DANCE

Em Best Dance, Confessions II – The Film concorreu com trabalhos de Bebe Rexha & Faithless, Harry Styles, Lady Gaga & Doechii, PinkPantheress & Zara Larsson e Slayyyter.
O prêmio ficou com Madonna, que chega assim ao seu terceiro troféu da noite, depois das vitórias em Artist of the Year e Best Collaboration, ao lado de Sabrina Carpenter por “Bring Your Love”.
A conquista em Best Dance tem um significado especial dentro da trajetória de Madonna. A dança não é apenas parte de suas apresentações, mas um dos elementos fundamentais de sua linguagem artística, desde os primeiros anos de sua carreira.
Ao reconhecer Confessions II – The Film nesta categoria, os VMAs celebram justamente essa combinação entre música, movimento, performance e narrativa visual que acompanha Madonna há décadas.
Três prêmios e uma apresentação de abertura: o retorno de Madonna aos VMAs ganha cada vez mais força ao longo da noite. E não estamos nem na metade ainda...
Confessions II – The Film: quando o álbum virou cinema
Se Confessions II nasceu como um álbum, sua história não terminou quando as músicas chegaram aos ouvidos do público. Madonna transformou o projeto em uma experiência audiovisual mais ampla, levando para a tela o universo criado pelas canções e ampliando suas possibilidades através da dança, da narrativa e da linguagem cinematográfica. Confessions II – The Film passou a existir como uma obra própria, construída para ser vista tanto quanto ouvida.
Essa dimensão foi particularmente reconhecida nos VMAs 2026. O filme deixou a cerimônia com mais três troféus em categorias diretamente ligadas à sua realização visual: Best Choreography, Best Cinematography e Best Long Form Video. Juntos, os prêmios mostram que a força de Confessions II não está apenas nas músicas, mas também na maneira como Madonna decidiu transformá-las em imagem, movimento e narrativa.
Best Choreography
Em Best Choreography, Confessions II – The Film concorreu com trabalhos de GENER8ION, Harry Styles, KATSEYE, Tate McRae e Taylor Swift.
É uma vitória particularmente simbólica para Madonna. A coreografia sempre ocupou um lugar central em sua linguagem artística, desde os primeiros videoclipes e apresentações que ajudaram a redefinir a relação entre música pop, dança e performance. Ao premiar Confessions II – The Film, os VMAs reconhecem justamente essa dimensão corporal e performática do projeto, mostrando que, décadas depois, Madonna continua sendo celebrada por aquilo que ajudou a transformar em linguagem pop.
Best Cinematography
Em Best Cinematography, Confessions II – The Film enfrentou trabalhos de A$AP Rocky, Ariana Grande, LISA & Kentaro Sakaguchi, Shaboozey e Taylor Swift.
Aqui, o reconhecimento se desloca para a construção visual. A cinematografia é responsável por transformar uma ideia em imagem, trabalhando enquadramentos, iluminação, movimento de câmera, textura e atmosfera. Para um projeto como Confessions II – The Film, o prêmio reforça que a experiência de Madonna não termina na música: existe uma concepção cinematográfica própria por trás dela. É mais uma confirmação de que o álbum foi pensado como um universo visual, e não apenas como uma coleção de canções.
Best Long Form Video
Em Best Long Form Video, Confessions II – The Film concorreu com Music, Fashion, Film, de Charli XCX; Choosin’ Texas, de Ella Langley; e STORM starring Yung Lean, do GENER8ION.
Entre os quatro novos troféus, talvez seja o que melhor resume a ambição do projeto. A categoria reconhece trabalhos que ultrapassam o formato tradicional de um videoclipe e desenvolvem uma experiência audiovisual mais extensa. Ao vencer, Confessions II – The Film consolida a proposta de Madonna de transformar o universo do álbum em narrativa visual, aproximando música, cinema, dança e performance em uma mesma obra.
CONFESSIONS II - BEST ALBUM -
O álbum que voltou para casa
Em Best Album, Confessions II venceu uma das categorias mais abrangentes e disputadas da noite, concorrendo com The Romantic, de Bruno Mars; Iceman, de Drake; Dandelion, de Ella Langley; Kiss All the Time. Disco, Occasionally, de Harry Styles; The Art of Loving, de Olivia Dean; You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love, de Olivia Rodrigo; Man’s Best Friend, de Sabrina Carpenter; e The Life of a Showgirl, de Taylor Swift.
O prêmio ganha uma dimensão especial porque reconhece o álbum como uma obra completa. Depois de conquistar troféus por sua colaboração, sua dança e diferentes aspectos da realização audiovisual de Confessions II – The Film, Madonna ainda viu o próprio álbum ser reconhecido no centro da indústria. É como se os VMAs percorressem todo o caminho de Confessions II: da música à imagem, da coreografia à cinematografia, até chegar à obra que deu origem a tudo.
E há algo particularmente bonito nessa história. Vinte anos depois de Confessions on a Dance Floor, Madonna não voltou aos VMAs para simplesmente revisitar um capítulo conhecido de sua carreira. Voltou com um novo álbum, novas imagens, novas canções e uma nova geração ao seu redor. E, no fim da noite, Confessions II estava ali, entre os grandes álbuns do seu tempo, enquanto sua autora ocupava novamente o centro daquele palco.
Talvez seja esse o detalhe mais emocionante de todos: depois de mais de quatro décadas de carreira, Madonna ainda conseguiu fazer os VMAs parecerem uma estreia. E, ao sair de lá com sete troféus, deixou claro que sua história não estava sendo encerrada. Ela estava, mais uma vez, sendo escrita.
Depois de tantos anos, ela voltou para casa. E a casa ainda sabia exatamente quem ela era.

Redação: Sergio Paiva/Equipe Madonna Literal




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