top of page
Buscar

Madonna no VMA: todas as vezes em que ela transformou a premiação em seu próprio palco

29 de ago.
13 min de leitura

Atualizado: há 7 dias

De noiva rolando pelo chão à “madrinha” oficial da MTV: uma história de performances, discursos, beijos, polêmicas e muitos looks inesquecíveis.


5 edições · 7 performances musicais · 4 décadas de história.


O VMA 2026 está chegando, e Madonna já entra na nova edição com mais um feito para a coleção: ela é a recordista de indicações deste ano, com 11 nomeações, incluindo Artista do Ano, Música do Ano e Vídeo do Ano. Mais de quatro décadas depois de sua primeira aparição na premiação, a cantora volta ao centro da disputa e ainda pode conquistar seu primeiro troféu desde 1999.


É difícil contar a história do VMA sem contar, ao mesmo tempo, a história de Madonna. A premiação da MTV nasceu em 1984; Madonna tinha lançado seu primeiro álbum no ano anterior. As duas cresceram juntas, aprenderam juntas a fabricar momentos de televisão e, de quebra, mudaram a maneira como o pop se apresenta ao vivo.


Ela não esteve em todas as edições, longe disso. Mas, quando apareceu, quase nunca foi apenas para sentar na plateia. Madonna já cantou vestida de noiva, recebeu uma homenagem precoce quando ainda tinha 28 anos, transformou o palco numa corte do século XVIII, beijou duas das maiores estrelas pop do começo dos anos 2000 e voltou, décadas depois, para lembrar à MTV que as duas sobreviveram a quase tudo.


Contando performances, entregas de prêmio, discursos e uma participação exibida diretamente de uma turnê, Madonna esteve efetivamente em 15 edições do VMA até hoje. Em sete delas, houve apresentação musical. A lista abaixo não considera os anos em que ela foi apenas indicada, apareceu em imagens de arquivo ou teve outra artista prestando homenagem a algum look seu.


1984: “Like a Virgin” e o acidente que virou história



Na primeira edição do VMA, Madonna ainda não era a imperatriz do pop: era uma cantora em ascensão, indicada a Artista Revelação por “Borderline”, tentando convencer a gravadora a deixá-la apresentar uma música que nem sequer havia sido lançada. Sua ideia inicial era entrar no palco acompanhada por um tigre-de-bengala adulto. A MTV, sensatamente, vetou o animal. O plano B acabou sendo um bolo de casamento de aproximadamente cinco metros de altura — e foi muito melhor para todos os envolvidos, inclusive para o tigre.


Madonna surgiu no alto do bolo cantando “Like a Virgin”, vestida de noiva, coberta por pérolas, rosários, renda e o célebre cinto “Boy Toy”. No meio da apresentação, um dos sapatos escapou. Ao tentar recuperá-lo sem interromper a música, ela se jogou no chão, rolou pelo palco e deixou a lingerie aparecer. O movimento parecia calculadamente escandaloso, mas nasceu de um improviso. Em vez de denunciar o erro, ela decidiu agir como se tudo fizesse parte do número. Funcionou. A imagem da noiva se contorcendo no chão virou o primeiro grande escândalo do VMA e estabeleceu a regra não escrita da premiação: mais importante do que ganhar um troféu é criar a cena que todo mundo comentará no dia seguinte. Madonna não levou prêmio naquela noite, mas saiu do Radio City Music Hall como o principal assunto do evento. O VMA ganhou sua primeira imagem realmente histórica e ela ganhou um atalho para a condição de fenômeno cultural.


1986: Aos 28 anos, ela já ganhava um prêmio pela carreira inteira



Dois anos depois, Madonna voltou ao VMA não para cantar, mas para receber o Video Vanguard Award, entregue por Robert Palmer. Foi a primeira mulher a ganhar a honraria dedicada ao impacto e à inovação no videoclipe - algo especialmente impressionante porque ela tinha apenas 28 anos e somente três anos de carreira fonográfica.


Hoje, o Vanguard costuma vir acompanhado de um longo medley, quase como um show de intervalo particular. Em 1986, o formato ainda não era esse: Madonna recebeu o troféu, agradeceu e reconheceu a importância dos videoclipes para sua trajetória. A escolha fazia sentido. Em pouquíssimo tempo, ela já tinha transformado vídeos como “Borderline”, “Like a Virgin”, “Material Girl” e “Papa Don’t Preach” em capítulos fundamentais da própria construção de imagem. O VMA basicamente premiou Madonna por compreender a MTV melhor do que quase todos os artistas da época.


1987: “Causing a Commotion” direto da Itália



Madonna não compareceu pessoalmente ao VMA de 1987 porque estava encerrando a etapa europeia da Who’s That Girl World Tour. Mesmo assim, apareceu na transmissão: a MTV exibiu uma apresentação de “Causing a Commotion” registrada no Stadio Comunale, em Turim, na Itália, durante a turnê.


O número tinha Madonna em modo estrela de estádio, com uma versão mais roqueira da música, coreografia acelerada, brincadeiras com a guitarra e a energia física que marcava aquela turnê. Durante a mesma edição, “Papa Don’t Preach” venceu como Melhor Vídeo Feminino. Durante anos, o material foi descrito como uma transmissão ao vivo via satélite, mas registros posteriores apontam que a performance havia sido gravada alguns dias antes e inserida no programa. Era, de todo modo, a primeira vez que Madonna levava ao VMA um pedaço de uma turnê mundial.


1989: “Express Yourself”, terninho, bustiê e o nascimento de uma nova Madonna



Em 1989, ela abriu a cerimônia com “Express Yourself” e mostrou como transformar uma performance televisiva em manifesto pop. Madonna desceu uma escadaria usando um terno masculino risca de giz e monóculo. Pouco depois, tirou o paletó, revelou o bustiê e comandou uma coreografia vigorosa ao lado das backing vocals e dançarinas Niki Haris e Donna De Lory.


O número brincava com códigos masculinos e femininos, poder, sexualidade e controle (temas que já estavam no clipe dirigido por David Fincher), mas apareciam ali de forma mais crua. A coreografia incluiu poses de voguing antes mesmo de Madonna lançar “Vogue”, no ano seguinte. Segundo relatos ligados à produção, foi durante os ensaios que Niki Haris apresentou aqueles movimentos a Madonna.


E ela não desapareceu depois de cantar. Madonna voltou ao palco para entregar o Video Vanguard Award a George Michael e terminou a noite empatada com Paula Abdul como a artista mais premiada da edição, com quatro troféus: três por “Express Yourself” e o Viewer's Choice por “Like a Prayer”. Era a passagem da jovem provocadora de 1984 para uma artista que já controlava inteiramente o espetáculo.


1990: “Vogue” transforma o VMA numa corte francesa



Se “Like a Virgin” é a apresentação mais famosa de Madonna no VMA, “Vogue” é, para muita gente, a melhor. Em vez de reproduzir o preto e branco hollywoodiano do videoclipe, ela levou a música para uma corte inspirada em Maria Antonieta e no século XVIII. O palco foi tomado por perucas empoadas, leques, vestidos, criados, nobres libertinos e uma coreografia que misturava rigor, humor e provocação.


Madonna cantou caracterizada como uma aristocrata e transformou o voguing — movimento criado e desenvolvido na cultura ballroom negra e latina LGBTQIA+ de Nova York — num espetáculo visto em escala mundial. O figurino principal havia sido usado por Glenn Close no filme “Ligações Perigosas”, detalhe que deixa a encenação ainda mais deliciosamente cinematográfica.


A performance encerrou a cerimônia e se tornou referência obrigatória para qualquer lista de melhores momentos da história do VMA. “Vogue” tinha recebido nove indicações, o maior número daquela edição, e venceu três categorias técnicas: Direção, Edição e Fotografia.


Curiosamente, perdeu Vídeo do Ano para “Nothing Compares 2 U”, de Sinéad O’Connor. Perdeu o prêmio principal, mas ganhou a memória coletiva — o que, num VMA, talvez valha mais.


1993: “Bye Bye Baby” e um cabaré em plena era “Erotica”



Madonna abriu o VMA de 1993 com “Bye Bye Baby”, faixa do álbum “Erotica”, num número diretamente conectado ao universo da The Girlie Show World Tour, que começaria poucas semanas depois. De fraque, cartola, luvas e bengala, ela encarnou uma espécie de mestre de cerimônias andrógina, cercada por dançarinas num cenário de cabaré e bordel.


A apresentação invertia papéis de gênero, flertava com Marlene Dietrich e fazia Madonna comandar, observar e brincar com as mulheres no palco. Era uma resposta bastante consciente ao período de rejeição enfrentado depois do álbum “Erotica”, do livro “Sex” e do filme “Corpo em Evidência”: ela não suavizou a imagem para ser perdoada. Apareceu ainda mais teatral, sexual e no controle.


Nos bastidores, chegou a ser considerada a possibilidade de apresentar “Justify My Love” ou “The Beast Within”, mas Madonna teria concluído que o material seria polêmico demais para a televisão ao vivo. “Bye Bye Baby” foi a solução — não exatamente comportada, apenas transmitível. Na mesma edição, o videoclipe de “Rain” venceu Direção de Arte e Fotografia.


1994: Madonna e David Letterman encenam uma trégua



Em março de 1994, Madonna havia protagonizado uma entrevista caótica no programa de David Letterman: fumou charuto, entregou uma calcinha ao apresentador, fez insinuações e repetiu tantas vezes a palavra proibida da televisão americana que o episódio se tornou um dos mais censurados da história dos talk shows.


Cinco meses depois, o VMA usou a própria polêmica como piada. Madonna entrou para apresentar Vídeo do Ano de braços dados com Letterman, que não havia sido anunciado. Antes de sair, ele recomendou que ela cuidasse da linguagem e disse que a esperaria no carro. Foi uma aparição curta, mas perfeita para a lógica da MTV: transformar um escândalo ocorrido em outra emissora em entretenimento para seu próprio público.


Madonna então entregou o prêmio principal a “Cryin’”, do Aerosmith. Não cantou e não venceu naquela noite, embora “I’ll Remember” estivesse indicada a Melhor Vídeo de Filme.


Sua função foi outra: provar que sabia rir da própria fama de pessoa mais perigosa da televisão.


1995: Um prêmio, uma entrega e Courtney Love jogando maquiagem



Madonna chegou ao VMA de 1995 na fase elegante de “Bedtime Stories”, usando um conjunto azul-claro de Tom Ford para a Gucci. Subiu ao palco para receber Melhor Vídeo Feminino por “Take a Bow” e também apresentou Melhor Vídeo de Rap, entregue a Dr. Dre por “Keep Their Heads Ringin’”. Até aí, uma noite relativamente civilizada para os padrões Madonna/MTV.


O caos veio depois da cerimônia. Enquanto Madonna conversava ao vivo com Kurt Loder, Courtney Love começou a atirar objetos de sua bolsa — entre eles um estojo de maquiagem, na direção dos dois para chamar atenção. Loder convidou Courtney a participar da entrevista, decisão que produziu vários minutos de televisão desconfortável e maravilhosa.


Madonna reagiu com olhares gelados e observações secas, enquanto Courtney falava de maneira cada vez mais errática.


O pós-show acabou mais lembrado do que a própria entrega de prêmios. É um daqueles casos em que Madonna não precisou planejar nada: bastou ficar parada, erguer uma sobrancelha e deixar outra pessoa produzir o desastre.


1997: Uma fala sobre a morte da princesa Diana



O VMA de 1997 aconteceu apenas quatro dias depois da morte da princesa Diana. Antes de apresentar o Prodigy, Madonna abandonou momentaneamente o tom irreverente e falou sobre a tragédia, a obsessão do público pela vida das celebridades e a necessidade de rever a maneira como pessoas famosas eram perseguidas e consumidas pela imprensa.


Não houve música nem prêmio para Madonna. Sua aparição funcionou como uma pausa solene dentro de uma cerimônia que ainda tentava entender como lidar com uma comoção mundial ocorrida naquela mesma semana. Elton John também abordou a morte de Diana durante o programa, e parte da renda foi destinada ao fundo memorial criado em nome da princesa.


1998: Espiritualidade, guitarra elétrica e seis troféus



O VMA de 1998 foi a grande noite competitiva de Madonna. Ela chegou com nove indicações e saiu com seis prêmios: cinco por “Ray of Light” — incluindo Vídeo do Ano, Melhor Vídeo Feminino, Direção, Edição e Coreografia — e um por “Frozen”, em Efeitos Especiais. Foi a primeira vez que ela venceu Vídeo do Ano e a maior quantidade de troféus recebida por Madonna em uma única edição.


A apresentação começou com “Shanti/Ashtangi”. De cabelos pretos e usando elementos visuais inspirados na Índia, Madonna entoou o texto em sânscrito cercada por dançarinos. A atmosfera espiritual foi rompida pela entrada de Lenny Kravitz na guitarra, puxando uma versão elétrica e acelerada de “Ray of Light”. Em poucos minutos, o palco foi da meditação à rave.


Como quase sempre, houve polêmica: organizações hindus criticaram o uso de símbolos religiosos junto de uma coreografia considerada sexualizada. Mas o saldo da noite foi de consagração. Depois de anos em que muita gente tratava Madonna como uma estrela dos anos 1980 tentando sobreviver aos anos 1990, o VMA confirmou que a era “Ray of Light” não era apenas um retorno, mas uma reinvenção artística completa.


1999: Um exército de drag queens e Paul McCartney errando o nome de Lauryn Hill



No fim da cerimônia de 1999, a MTV decidiu homenagear sua relação com Madonna. Um grupo de drag queens entrou usando recriações de fases e figurinos clássicos da cantora — uma passarela viva de personagens que ela havia acumulado desde o começo dos anos 1980.


Madonna apareceu em seguida e resumiu a cena com uma piada: era preciso um homem de verdade para preencher seus sapatos.


Depois, ela apresentou Paul McCartney, e os dois entregaram Vídeo do Ano. O ex-Beatle anunciou a vencedora Lauryn Hill como “um sujeito chamado Lawrence Hill”, numa gafe que virou parte do folclore daquela edição. Madonna também tinha motivo próprio para comemorar: “Beautiful Stranger” venceu Melhor Vídeo de Filme. Foi seu 20º VMA no total — 19 prêmios competitivos mais o Vanguard — e, até hoje, sua vitória mais recente na premiação.


A cena das drags tinha um significado especial: em 1984, Madonna precisou se provar para a MTV. Quinze anos depois, a própria emissora já tratava a história visual dela como parte de seu patrimônio.


2003: Os beijos em Britney e Christina que pararam a cultura pop



Para comemorar os 20 anos do VMA, a MTV voltou ao ponto de partida. Britney Spears e Christina Aguilera abriram a cerimônia vestidas de noiva, recriando “Like a Virgin” diante de um bolo gigante.


Então Madonna surgiu como o noivo da história, toda de preto, e conduziu a apresentação para “Hollywood”. A inversão era perfeita: as duas maiores herdeiras pop daquele momento vestiam a fantasia da Madonna de 1984; a original entrava para reivindicar o posto de centro da cena.


No meio da música, Madonna beijou Britney e, em seguida, Christina. A transmissão cortou para a reação de Justin Timberlake justamente durante o beijo em Christina, razão pela qual o primeiro beijo ficou muito mais gravado na memória coletiva. Missy Elliott apareceu na sequência para acrescentar um trecho de “Work It” e fechar o número.


O plano inicial previa Jennifer Lopez ao lado de Britney, mas compromissos de filmagem impediram J.Lo de participar e Christina assumiu a vaga. Madonna ainda estava indicada a Melhor Vídeo de Filme por “Die Another Day”, mas perdeu para “Lose Yourself”, de Eminem.


Naturalmente, ninguém lembra daquela noite por causa do resultado da categoria. Os beijos foram parar nas capas dos jornais, viraram debate sobre sexualidade, marketing e choque televisivo e deram ao VMA seu momento mais comentado em muitos anos.


2009: Um discurso emocionante para Michael Jackson



Madonna voltou ao VMA seis anos depois, mas não para cantar. Michael Jackson havia morrido em junho, e ela abriu a cerimônia com um longo discurso sobre a vida, o talento e o isolamento do cantor. Madonna comparou as trajetórias dos dois — nascidos no mesmo ano, transformados em estrelas ainda jovens — e reconheceu uma diferença dolorosa: ela teve uma infância e pôde cometer erros longe dos holofotes; Michael não.


Ela também fez uma autocrítica pública. Ao lembrar o momento em que soube da morte de Jackson, disse ter sentido que ela e o restante do mundo o haviam abandonado, permitindo que alguém antes capaz de incendiar o planeta desaparecesse pelas frestas. Em vez de reduzir Michael à sucessão de escândalos dos últimos anos de vida, Madonna recuperou o artista e pediu que o público se lembrasse de sua humanidade.


O discurso abriu caminho para uma homenagem coreografada com sucessos de Michael, encerrada pela aparição de Janet Jackson em “Scream”. Madonna não participou musicalmente do tributo, mas deu a ele o enquadramento emocional.


2018: A homenagem a Aretha Franklin que virou polêmica


Madonna no VMA 2018

Madonna apareceu no fim do VMA de 2018 para entregar Vídeo do Ano a Camila Cabello por “Havana”. Antes do anúncio, falou sobre Aretha Franklin, que havia morrido quatro dias antes. O discurso partiu de uma lembrança pessoal: no começo da carreira, ainda sem dinheiro, Madonna teria cantado “(You Make Me Feel Like) A Natural Woman” em uma audição que ajudou a mudar seu destino.


O problema foi que a história se concentrou muito mais na própria Madonna do que em Aretha. A reação veio imediatamente, com críticas de que aquele suposto tributo era autocentrado e insuficiente para uma artista da dimensão da Rainha do Soul. Madonna respondeu depois que não havia sido convidada a produzir uma homenagem completa.


Segundo ela, a MTV havia pedido que entregasse o prêmio e compartilhasse uma experiência pessoal ligada a Aretha — e seria impossível homenagear adequadamente uma carreira inteira em poucos minutos.


Intenção à parte, a passagem entrou para a lista de controvérsias de Madonna no VMA. Desta vez, não por um beijo, uma roupa ou uma coreografia, mas pela disputa em torno de quem tinha o direito de contar a memória de outra lenda.


2021: Madonna e MTV comemoram 40 anos juntas



Em 2021, Madonna fez uma aparição surpresa para abrir o VMA e celebrar os 40 anos da MTV. Um pequeno filme mostrou a cantora chegando de táxi à Times Square, numa recriação de sua própria chegada a Nova York aos 19 anos, quando tinha apenas 35 dólares e um par de sapatos de dança. A narrativa traçou um paralelo entre duas azarãs que desembarcaram na cidade quase ao mesmo tempo: Madonna e uma emissora dedicada exclusivamente à música.


Depois do vídeo, ela apareceu no palco ao som de “Vogue”, usando sobretudo, luvas e um body preto de couro. Disse que muita gente apostou que nem ela nem a MTV durariam — mas ambas continuavam ali. Em seguida, abriu o casaco, virou de costas e saiu do palco, garantindo que a breve participação também rendesse sua inevitável rodada de manchetes.


Não foi exatamente uma performance musical, embora tenha tido entrada coreografada e trilha própria. Foi uma volta ao papel de símbolo institucional da premiação: Madonna já não precisava disputar espaço no VMA; era chamada para personificar a própria história do canal. Essa permanece sua aparição mais recente na cerimônia.


E o VMA de 2026?



Até a publicação deste texto, a cerimônia de 2026 ainda não aconteceu: está marcada para 27 de setembro, em Los Angeles. Madonna, no entanto, voltou ao centro da premiação antes mesmo da noite chegar. Ela lidera o ano com 11 indicações, incluindo Artista do Ano, Música do Ano e Vídeo do Ano. É também a única artista indicada ao VMA em todas as décadas desde a criação do prêmio.


Isso significa que uma 16ª aparição pode acontecer? Pode. Mas, por enquanto, não há participação confirmada, e indicação não entra na cronologia acima. O reencontro seria especialmente simbólico: Madonna não vence um VMA desde “Beautiful Stranger”, em 1999.


No fim, Madonna não frequentou o VMA: ela ajudou a inventá-lo. As aparições de Madonna contam uma história maior do que a soma de prêmios e performances. Em 1984, ela mostrou que um erro podia virar provocação calculada. Em 1989 e 1990, elevou o padrão visual das apresentações televisivas. Nos anos 1990, usou a cerimônia para alternar deboche, sexualidade, moda, reinvenção e autoridade. Em 2003, transformou a passagem de bastão para uma nova geração num beijo transmitido ao vivo.


Mais tarde, voltou como guardiã da memória da música e da própria MTV. Outros artistas ganharam mais troféus. Outros ocuparam mais edições. Mas poucos entenderam tão cedo uma verdade essencial sobre o VMA: a estatueta é importante; o momento é eterno. E, nesse campeonato, Madonna continua praticamente sem concorrência.


Redação: Sergio Paiva/Equipe Madonna Literal

Comentários


©2026 por Madonna Literal. Orgulhosamente criado por Estúdio Telescópio

bottom of page